22 de outubro de 2026

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Encontro EJA-EPT em Avaré discute rumos da educação – IFSP

Evento terá três dias de debates e propostas para o ensino de jovens e adultos

O Campus Avaré do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo está sediando o Encontro da Educação de Jovens e Adultos integrada à Educação Profissional e Tecnológica (Encontro EJA-EPT IFSP). A abertura aconteceu ontem à tarde (20), e o evento se estende até o dia 22.

O encontro reúne estudantes, servidores, gestores e pesquisadores do IFSP para discutir a realidade da EJA-EPT no IFSP e definir encaminhamentos para o fortalecimento da modalidade nos próximos anos. O evento é promovido com o objetivo da escuta, troca de experiências e construção coletiva de propostas.

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Na cerimônia de abertura, estiveram presentes, entre outras autoridades, o chefe de Gabinete do IFSP, Ricardo Agostinho de Rezende Junior (representando o reitor Silmário Batista dos Santos), o diretor do Campus Avaré, Julio Cesar Pissuti Damalio, e a coordenadora-geral de EJA na Secadi/MEC, Mariângela Graciano, professora da Unifesp.

Mariângela também fez parte da mesa inaugural do evento, juntamente com as professoras Michelle Chaves da Silva e Leah Negromonte, também estando presente a estudante Neura Maria de Oliveira Telles.

As participantes chamaram a atenção para o fato de que a discussão sobre EJA implica falar de capacitismo, racismo e etarismo, sendo exigidas formas específicas de organização, não devendo haver apenas uma cópia do ensino regular com menor carga horária.

O número de estudantes de EJA no Brasil vem sendo reduzido constantemente ao longo dos últimos anos, indo de cerca de cerca de 2 milhões, em 2016, a cerca de 1,3 milhão, em 2025. Ainda assim, o investimento federal em EJA subiu de cerca de R$ 21 milhões, em 2019, para cerca de R$ 146 milhões, em 2025, um aumento de quase sete vezes.

Em junho de 2024, o MEC lançou o Pacto Nacional pela superação do analfabetismo e qualificação de jovens e adultos, atendendo pessoas “de 15 a mais de 100 anos”. Mariângela destacou que a taxa de analfabetismo atual do Brasil, 4,9%, é a menor da história.

Dos aproximadamente 2 milhões de estudantes EJA do Brasil, cerca de 135 mil são integrados à EPT, 22 mil são da Rede Federal e 873 são do IFSP.

Relato emocionante

Neura Maria, 66, aluna do curso EJA de Administração de Empresas do IFSP Pirituba (técnico integrado ao Ensino Médio), emocionou a plateia e colegas de mesa ao compartilhar sua história de vida.

Nascida no interior de Santa Catarina, mudou-se ainda adolescente para a cidade de São Paulo com o marido, depois de engravidar aos 14 anos.

Levando uma vida de limitações financeiras, fez questão de incentivar as filhas a estudarem, para que pudessem desfrutar da independência que não teve e conseguirem condições melhores de vida. A educação das filhas só foi possível graças a seu trabalho, “de domingo a domingo”.

Ela mesma também tinha o sonho de voltar a estudar, mas seu marido não permitia. Apenas depois de ficar viúva, na pandemia, e incentivada pelas filhas, regressou à sala de aula, formando-se no Cieja (nível fundamental) em 2024.

Depois, estimulada pela professora Leah, a quem chamou de “anjo” (tirando lágrimas da docente ao seu lado na mesa), ingressou no IFSP. “O estudo liberta. Para que ninguém nos diga o que temos e o que não temos que fazer.”

Colega de sala de Neura, Sônia Maria Ribeiro Ramiro, 71, teve uma trajetória parecida, passando, depois de muitos anos fora das salas de aula, do Cieja para o IFSP. Antes disso, ela só havia estudado até a quarta série.

Em sua retomada dos estudos, Sônia confessa que ao princípio ficou receosa. “Achei que não conseguiria aprender todas aquelas coisas.”

Mas depois de receber muito apoio no Cieja, sentiu-se segura para dar o passo a seguir, entrando no IFSP. Novas dúvidas vieram (“será que vou dar conta de acompanhar um monte de jovens?”), mas hoje se sente totalmente à vontade, tendo amigos de todas as faixas etárias, adorando os professores e buscando não perder nem uma aula sequer. “Qualquer coisa, é só falar para a professora que não entendi algo, perguntar. É de boa.”

Programação

O encontro continua hoje e amanhã, com orientação metodológica e socialização de grupos de trabalho, e a apresentação dos seguintes painéis dialogados: “Sentidos, estratégias e possibilidades na EJA-EPT (Proeja): busca ativa, pedagogia da alternância e acesso, permanência e êxito”, “As novas diretrizes da EJA-EPT: Rede Federal e IFSP” e “Construindo o planejamento a partir dos desafios atuais da EJA-EPT”.