CAPS transforma Setembro Amarelo em celebração da vida com cores – CGNotícias
Em vez de falar apenas sobre prevenção, o CAPS III Margarida decidiu, neste Setembro Amarelo, colocar a vida no centro da conversa. Na unidade, localizada na Vila Rica, o mês ganhou cores, plantas, pintura e atividades de convivência com a proposta de tornar o espaço mais acolhedor e fortalecer entre os pacientes o sentimento de pertencimento.
Batizada de “Setembro com Cores”, a iniciativa envolve pacientes e profissionais na revitalização da área externa do CAPS. Tintas doadas por servidores e parceiros deram novas cores a pneus e outros espaços, enquanto mudas frutíferas foram plantadas no local.
A proposta surgiu de uma reflexão da própria equipe sobre como ampliar as ações do Setembro Amarelo dentro da unidade, trazendo também uma mensagem de valorização da vida. “Enquanto equipe, a gente pensou: por que não fazer um Setembro com Cores e celebrar a vida todo dia? A gente quis trazer essa perspectiva para dentro do CAPS”, explicou a assistente social Inara Luíza Cabral.
Mais do que mudar o ambiente, a ação busca reforçar uma mensagem sobre o próprio papel do CAPS: um espaço de acolhimento, acompanhamento, convivência e construção de autonomia.
“O CAPS é porta aberta, não precisa agendar. As pessoas podem vir, todos serão atendidos”, explica Inara. Depois do acolhimento, cada caso é avaliado e encaminhado para o serviço mais adequado. O acompanhamento nos CAPS é destinado a pessoas que apresentam quadros que demandam cuidado especializado em saúde mental, incluindo situações graves e persistentes.
Para a assistente social, a iniciativa também ajuda a mostrar o trabalho desenvolvido no CAPS e a importância de olhar para o serviço com mais informação e menos estigmas. “O CAPS existe e é um serviço sério. Aqui, a gente acolhe, acompanha e trabalha todos os dias para ajudar as pessoas a retomarem sua autonomia e sua vida em sociedade”, enfatiza.
O psicólogo Gabriel Andrade destaca que o cuidado oferecido no CAPS vai muito além da consulta médica ou do uso de medicamentos. “Nosso olhar para os pacientes é mais humanizado e amplo. Consideramos também a realidade de cada família e o contexto social em que essas pessoas estão inseridas, no bairro e na comunidade. Por isso, trabalhamos de forma articulada com toda a rede, incluindo CRAS e CREAS.”
O CAPS Margarida atende, em média, 50 pacientes por dia. Um dos desafios da equipe é ajudar a reconstruir vínculos e o sentimento de pertencimento, já que muitas pessoas enfrentam dificuldades de inserção social.
“A gente percebe que muitos pacientes chegam com os vínculos sociais fragilizados e acabam se sentindo afastados da convivência em sociedade. Por isso, nosso papel também é trabalhar essa reconexão, fortalecendo os vínculos com a comunidade, com o trabalho e com as relações do dia a dia”, ressalta Gabriel.
Nas oficinas e atividades de convivência, essas conquistas aparecem no dia a dia. São passos que ajudam a recuperar a autonomia e a confiança para retomar atividades da rotina. “A gente percebe a evolução deles, desde conseguir pegar um ônibus e ir ao mercado até fazer outras coisas do cotidiano com mais independência. São conquistas que mostram o quanto eles estão avançando”, acrescenta Inara.
É nesse processo de reconstrução da autonomia e dos vínculos que a transformação do espaço também ganha significado. As cores, o plantio e a revitalização do ambiente passam a fazer parte da própria proposta de cuidado. “A gente quis trazer a vida para dentro do CAPS. As cores representam isso para nós. Nosso trabalho é ajudar cada paciente a construir uma vida mais digna, com mais autonomia, mais humanidade e mais possibilidades”, pontua Gabriel.
Demanda por cuidado em saúde mental
Os números ajudam a dimensionar o atendimento em saúde mental na Capital. De janeiro a agosto de 2026, foram registrados 158,8 mil atendimentos, 7,2% acima dos 148,1 mil contabilizados no mesmo período de 2025. Em todo o ano passado, a Rede Municipal somou 226.312 atendimentos.
Além do CAPS Margarida, Campo Grande conta com outros seis serviços da Rede de Atenção Psicossocial com funcionamento 24 horas: CAPS III “Afrodite Doris Contis”, CAPS III Aero Rancho, CAPS III Vila Almeida, CAPS AD III “Fátima Medeiros”, CAPS AD III Guanandi “Márcia Zen” e CAPS Infantojuvenil “Dr. Samuel Chaia Jacob”, que é destinado a pessoas de até 18 anos.
Além dos CAPS, a Sesau mantém o Ambulatório Municipal de Saúde Mental, voltado para casos moderados, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h, na Rua Marechal Hermes, nº 842, Vila Almeida.
No CAPS Margarida, o colorido que tomou conta do espaço representa mais do que uma mudança no ambiente. É uma forma de lembrar, no dia a dia, que cuidado também passa por convivência, autonomia e pela possibilidade de retomar projetos e relações. É essa ideia que o Setembro com Cores leva para além do mês de setembro.
