14 de setembro de 2026

VICKYS SPORTS GASTROPUB

VICKYS SPORTS GASTROPUB FUTEBOL AO VIVO, GASTRONOMIA

Saúde antecipa preparação da rede para impactos do El Niño – CGNotícias

Campo Grande está entre os municípios apontados como prioritários para preparar unidades de saúde diante dos possíveis impactos do El Niño e das mudanças climáticas. A definição ocorreu durante o evento “Sala de Guerra”, realizado em 4 de agosto de 2026, e integra uma estratégia que prevê diagnóstico e adaptação da estrutura do SUS para diferentes cenários climáticos.

O trabalho ganhou uma nova etapa nesta segunda-feira (14), durante reunião técnica realizada no gabinete da prefeita Adriane Lopes, com participação de diferentes áreas do Município. A agenda foi articulada pela Secretaria Municipal de Saúde e é a segunda reunião técnica promovida pela Saúde, somente neste mês, para tratar da preparação diante das condições climáticas. A primeira ocorreu no início de setembro, na sede da Sesau, com participação da Defesa Civil, da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sear) e equipes técnicas da Saúde.

Para o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, a preparação precisa começar antes que os efeitos de um evento extremo cheguem à rede.

“A preparação precisa acontecer antes do evento. Estamos antecipando cenários e fortalecendo o planejamento da nossa rede para diferentes situações, desde possíveis alterações no perfil das doenças respiratórias e dos agravos relacionados ao calor até os impactos que eventos climáticos podem trazer para os serviços de saúde. O objetivo é aprimorar protocolos, organizar fluxos e garantir que as equipes estejam cada vez mais preparadas para responder de forma rápida e eficiente.”

A estratégia conduzida pela Sesau considera que alterações climáticas podem repercutir diretamente no perfil dos atendimentos e na própria capacidade de funcionamento dos serviços de saúde. De acordo com a apresentação técnica da Secretaria, o El Niño pode estar associado, no Centro-Oeste e em Mato Grosso do Sul, a temperaturas elevadas, irregularidade das chuvas, períodos de estiagem e veranicos, incêndios florestais e eventos extremos.

Por isso, o planejamento envolve tanto vigilância epidemiológica, quanto a preparação da estrutura física e assistencial da rede. Entre os pontos avaliados estão as condições de telhados, calhas e drenagem das unidades, abastecimento de água e energia, capacidade de leitos e estoque de oxigênio. Também estão no planejamento a verificação de medicamentos, insumos, equipamentos e reservas estratégicas.

A proposta também considera o mapeamento de áreas de maior vulnerabilidade e das populações que podem demandar atenção diferenciada, como idosos, gestantes, crianças pequenas, pessoas com deficiência, acamados, pacientes em oxigenoterapia domiciliar e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

Vigilância monitora possíveis reflexos na saúde

A preparação também começa antes de uma eventual mudança no perfil dos atendimentos. A Vigilância em Saúde acompanha alertas emitidos pela Defesa Civil, pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e pelo CEMTEC/MS, relacionando as condições climáticas aos possíveis impactos sobre a saúde.

Entre os agravos que podem exigir maior atenção estão doenças respiratórias, arboviroses, doenças diarreicas, intoxicações provocadas pela fumaça, acidentes com animais peçonhentos e problemas relacionados ao calor, como desidratação e insolação. A apresentação da Sesau também orienta atenção a acidentes e traumas decorrentes de inundações, estiagem e outros eventos extremos.

A superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, destaca que o monitoramento permite identificar alterações antes que elas representem uma pressão maior sobre os serviços.

“Quando falamos em eventos climáticos extremos, estamos falando também de riscos concretos para a saúde. O nosso papel é acompanhar os alertas, observar os indicadores e identificar precocemente qualquer alteração no perfil das doenças e agravos para que a resposta possa acontecer antes que a situação se agrave.”

A preparação das unidades faz parte do AdaptaSUS, estratégia voltada à adaptação do Sistema Único de Saúde às mudanças climáticas. Campo Grande está entre as cidades apontadas como prioritárias no Estado para essa preparação, ao lado de Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Aquidauana, Coxim, Miranda, Paranaíba, Caarapó e Porto Murtinho.

A iniciativa dialoga com a preparação que já vem sendo feita pela Sesau e com os planos de contingência existentes para situações de desastres provocados por chuvas intensas e para estiagem, seca e incêndios.

Planejamento integrado

Na reunião desta segunda-feira, a equipe da Sesau apresentou a necessidade de integrar informações e responsabilidades entre os diferentes setores, considerando que eventos extremos podem afetar simultaneamente a população, a infraestrutura urbana e o funcionamento dos serviços essenciais.

A proposta é manter uma articulação permanente entre Saúde, Defesa Civil, Assistência Social, Meio Ambiente, Educação, Corpo de Bombeiros e setores responsáveis pelos serviços de água e energia. O checklist apresentado pela Sesau prevê, entre outras medidas, grupo de monitoramento, definição de responsáveis, atualização de planos de contingência e fluxo de comunicação rápida entre unidades de saúde e gestão municipal.

Para a prefeita Adriane Lopes, transformar as experiências recentes em planejamento é parte fundamental desse processo. “Tudo o que a gente aprendeu agora vai para o nosso plano. São lições aprendidas, e é sempre algo novo que a gente aprende e precisa atualizar.”

A prefeita também defendeu que as ações considerem as particularidades de cada região da cidade e os pontos que podem demandar intervenção preventiva, como áreas de maior vulnerabilidade e infraestrutura urbana.